"Após uma eternidade à deriva, este lugar me acolheu. Você nem teria me reconhecido. Queimada de sol, descascando. Quase explodindo. Uma mente inchada com pensamentos confusos sobre si mesma e os outros. Detritos inúteis recuperados das profundezas."
Após iniciar a missão "A Balsa da Medusa", Stella pode tocar seu violão em diferentes locais da ilha e, cada vez que ela toca o tema de Daria nestes locais, ela é transportada até uma seção de plataformas, representando a mente de Daria. Ao participar deste evento, é possível aprender sobre a vida do espírito.
Ao final de cada seção, Stella recebe Mola Radiante como recompensa, que pode ser usada na Máquina de Lanche para restaurar Overbrook e desbloquear a próxima seção do Palácio Mental.
Diálogos[]
Cuidado! Possíveis spoilers à seguir!
"Stella, você será o meu farol. Pegue esse violão grosseiro e toque a minha música. Aí eu saberei que as águas são seguras. E eu virei ao seu encontro. E se, lá embaixo, eu ainda conseguir ver o brilho deste tesouro… Bem, sei que, juntas, podemos mergulhar para buscá-lo."
A Balsa da Medusa[]
Introdução "Da primeira vez que você subiu a torre, viu apenas uma coisinha frágil que precisava de cuidado e compaixão. Você não viu as amarras de aço que o gigante pôs em mim. Muito menos o mar revolto que havia aqui dentro, que foi ficando cada vez mais furioso, de acordo com o gênio mercurial do gigante. Pois é. Você só viu a dor, e não se atentou para a ferida."
Início "Não causa espanto, portanto, que você não estivesse pronta para os estertores finais do gigante. Para o momento em que ele confrontaria os próprios demônios e perderia. Sua confusão é compreensível e já era mesmo esperada. Quando o mar revolto e invisível me levou, e eu, pesada e desancorada como estava, afundei."
Metade "Eu já conhecia bem as profundezas daquele mar e preferia nunca ter voltado ali. Pois lá vivia toda sorte de monstros implacáveis. Dentes afiados, presas imensas, escamas impenetráveis. Feras com fome de sofrimento e dor, de dúvidas, de lembranças e de mentes. Ávidas por qualquer migalha. Para sobreviver, eu lutei e me debati. Tanto fiz que acabei me libertando das amarras e também das fibras de mim mesma. E as feras, é claro, devoraram tudo isso de que eu me livrei."
Final "Leve e livre, flutuei de volta à superfície, para bem longe dos monstros. Foi então que mãos suaves me ergueram de um mar ainda mais suave. E ali, cercada de figuras etéreas, nem boas nem más, eu contemplei uma imagem que estava gravada a ferro e fogo na minha mente vazia. Pois, através dos covis dos monstros, tive um vislumbre de uma centelha estranha: vestígios, naufrágios de viagens de outrora, com tesouros de um passado há muito esquecido."
A Onda[]
Introdução "Tenho uma lembrança tão profunda que jamais poderia esquecer. O dia em que comecei a ouvir o som. Primeiro bem de leve, mas foi ficando mais forte. Plip. Plop. Pingos d'água distantes que só eu ouvia. Acho que interpretei como um sinal. De que eu já não tinha lugar no confinamento confortável daquela casa de família. Assim, fui embora, à procura da origem do barulho."
Início "No começo da minha jornada, o mundo foi gentil comigo. Lembro bem da grama macia e da brisa suave. Continuei seguindo o som dos pingos. E acabei nem percebendo que o nível da água ia subindo e subindo. De repente, me peguei vadeando um terreno inundado, enlameado. Cercada de uma névoa espessa. Vejo centelhas, ouço ganidos e rosnados."
Metade "Não tenho muita lembrança desse período. Andanças que duraram uma eternidade. Não há mergulhador capaz de restaurar essas lembranças. Elas foram apagadas. Sem deixar vestígio. É como se nunca tivessem existido. Caído em uma das fissuras do tempo. Mesmo assim, elas existiram. A lama e os arranhões servem de testemunha."
Final "As águas subiram tanto, mas tanto, que nada as atravessa. Um oceano infinito. De uma placidez insuportável. A lama se dissipou. E as águas nunca estiveram tão claras. O plip-plop parou. Assim, só me resta mergulhar mais fundo, e eu mergulho. Mas tem que ser com calma e cautela, para não remexer o lodo que se acumulou ao longo das eras, Formando um manto tranquilo, mas frágil."
A Última Ceia[]
Introdução "Este navio naufragado se esconde entre rochedos e a lama. Só um leve brilho denuncia sua existência. Está adernado, abandonado e esquecido. Mas, conforme me aproximo, ouço o barulho: vozes tristes e felizes, sons e pancadas alegres. No barco moram várias sombras sem rosto: pai e mãe, irmãos e irmãs que vivem às voltas. Uma cacofonia ao mesmo tempo cativante e terrível."
Início "Uma das sombras me escapa. Ela é proteiforme e atonal. Insubstancial. Tem um quê fantasmagórico que eu não entendo e parece resistir deliberadamente ao foco. Levo um tempo para aceitar o que ela é: um eco de um "eu" antigo. Resquícios que as profundezas não devoraram. Ou, quem sabe, ignoraram. Um tesouro de valor imensurável. Eu a olho com curiosidade e resguardo."
Metade "De repente, uma profunda tristeza me toma. Pois percebo ou lembro uma verdade fundamental que eu talvez preferisse ignorar. A imagem emana uma alegria caótica. Uma família unida por conflitos e pelo riso."
Final "Se, em algum momento, um artista todo-poderoso avaliasse essa pintura, e decidisse remover a sombra espectral e solitária, a composição não perderia em nada. Ninguém sequer notaria."
Quartos à Beira-mar[]
Introdução "Após uma eternidade à deriva, este lugar me acolheu. Você nem teria me reconhecido. Queimada de sol, descascando. Quase explodindo. Uma mente inchada com pensamentos confusos sobre si mesma e os outros. Detritos inúteis recuperados das profundezas."
Início "Eles me prendem aqui, amarras grosseiras. E quando eu chiei e me debati e me revoltei, eles me prenderam com ainda mais força. Um método bruto. Mas, como vim a entender, eficaz. Por algum tempo, eles não viam o mar revolto, com ventos e tempestades intensas. E suas ondas, que fui obrigada a engolir, deixando-me enjoada, machucada, elas entenderam que não era a minha hora de afundar. Eu não sobreviveria a uma viagem dessas."
Metade "Agora tudo mudou. Os encarregados novos, eles são... Diferentes. Silenciosos. Graciosos nos movimentos. Calçam luvas macias e sapatos aveludados. Trabalham, circunspectos, à minha volta. Um exército invisível de ajudantes espectrais. Sempre atendendo a cada necessidade minha."
Final "E então, Stella, veio você. Também com amarrações, mas diferentes. Você é a única que compreende o mar. Que entende que não é para ter medo dele, e sim para comemorar esse verdadeiro milagre. Um relicário de tesouros estranhos e exóticos. De uma beleza espantosa e sobrenatural. Só você pode explorar esse mundo estranho comigo, fazendo vezes de âncora, de boia e de corda de segurança. Obrigada, Stella."